Omagio a Eikoh Hosoe, de Cicchine

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Ontem

A tua ausência tem um gosto
Amargo de fel ou de fruta verde.
E os cheiros são imperceptíveis
A um nariz que acostumou-se ao teu.

As gélidas brisas passam
E o coração dispara ao ver
Um vendável precedendo a chuva
Esperando por beijos que não vem.

O meu pensar-te sorrindo
(e é assim que te imagino)
É meu maior prazer
De horas vãs e tediosas.

Aquela canção e aquela chuva
Latejam todos os sentidos
E fito tua efígie
A dizer palavras doces.

Os beijos outrora enviados
Pelo bondoso e confidente vento
Causam um emaranhado
De sensações, arrepios e amores.

E hoje, revivo quase sem alma
Cheiros, desejos e sonhos
Que deveriam ser esquecido com
O tempo. mas não foram.

Danieli Buzzacaro
09/02/2009
O que eu sinto do teu sentir
Quase me faz flutuar.
Gosto de gostar de você,
Batendo assim mais forte
Meu vão coração
Com um sentimento oco.

Danieli Buzzacaro, meados de 2009

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Us ou poema cru


 Me chupa
Como sorvete
Como eu
Me lambe
Como calda
Quente
A minha pele

Me morde
Me aperta
Me bate
Desenha seus dedos
Nas minhas costas
Desenha estrelas
Nas minhas estrelas

Me beija
Ofegante
Não respira
Só me beija
Me lambe
Sua língua
Muda

Mudo
Mudamos
A posição
A respiração
Os gemidos
As palavras
Puta
Puto

Esquece
O mundo
Seu sexo
No meu
Na minha língua
Na minha vagina
Mora aqui dentro
Um instante
Uma eternidade

Goza
Explode as paredes
Testemunhas
As únicas
Eu grito
Eu imploro
Me fode
Me morde

Um mosquito
Uma cama
Desarrumada
A vida
Ofegantes
Desesperados
Perdidos
Só há agora

Sexo
Apenas
Não há amor
Só saliva
Mãos
Desejos
Seu pau
Nosso desejo

Arranho
Sorrisos
Marcas de bocas
De dedos
De sexos
Saliva e
Suor
Gemidos

Deixa
Os vizinhos
A vida
Lá fora
Invejem-nos
Me beija
Gememos
No compasso

Nossa dança
Nosso ritmo
A trilha sonora
Esquecida
Não importa
Se era indie
Se era Led
Era sexo

Me chupa
Me geme
Me lambe
Me beija
Me come
Me morde
Me puxa

Me fode
Não como
Filho da puta
Me fode
Como animal
Instintivo
Somos
Farei o mesmo

Danieli Buzzacaro
05/01/2017


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O dia da estrela

Quando veio ao mundo, anos antes,
talvez fosse noite de lua,
talvez dia chuvoso, com sol...
Mas fato é: havia uma estrela.

Estrela essa que eu achei
Quando você passou pelo meu caminho,
Encantei-me, brilhei com tua luz:
Éramos amigos desde sempre.

Das cores que têm, preencho parte
Do meu sorriso e do coração.
Acalmam, adoçam, fazem rir simples.
Das que não tem, te dou as minhas.

Dos dias de porre, quero sarjetas,
Risadas, mini-arrependimentos
(de dia seguinte, nenhum atual),
Adolescência eterna de um dia.

Dos dias escuros e tristes,
Respeito teu silêncio, tuas fugas,
Te peço baixinho que fique bem.
Te empresto minha luz.

Dos dias leves e bobos,
Que tenham doces de comer e conversar,
Que tenham fazer nada juntos
E ser feliz por isso.

Do seu sorriso, faço aquarela,
Pinto o meu mesmo sem ver um seu.
Da tua companhia, tenho a alegria
De todos os dias da vida.

Dos dias de bad, quero cervejas,
Conversas idiotas, direito a xingar o mundo.
Mas pode ser colo, se você quiser...
Pode até ser nada.

Do aniversário do dia da estrela,
Não tem desejo mais nada
Porque já te desejei tudo ontem,
Antes, antes, antes (sempre).

E do amor... ah! tem os que fazem sofrer,
E tem os bonitos que embelezam a vida.
O nosso sempre sera bonito e sempre estará,
Porque é essência, porque é.



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Humana

Se tudo fosse um sonho...
Se tudo fosse entre eu,
Você, minha cama e meu travesseiro...
Continuaria dormindo pra sempre.

Porque quando você chegou,
Eu trazia os olhos semicerrados
E um coração meio enferrujado
Mas ambos animaram-se ao te ver.

Os olhos enxergaram então
A personificação perfeita da paixão,
Colorindo-se de da cor do céu
Ou seria da cor dos olhos seus?

O coração destravou-se da ferrugem:
Sacudiu, bateu, viveu, floresceu!
Tingiu-se em vermelho e do seu cheiro.

Fiz-me humana. Demasiado humana.